O Centro Administrativo, desde sua contrução, tem sido um "sonho de consumo" dos adeptos do skate em Porto Alegre. De fato, o sonho se estende até àqueles que não praticam o esporte. O motivo? As laterais dos dois edifícios conjuntos que compõem o prédio formam uma curva a metade de sua altitude, que desce vertiginosamente até a base do centro, onde há um gramado. Muitos jovens imaginaram-se descendo a famosa "rampa do centro administrativo" em cima de um skateboard, um sonho distante, utópico, compartilhado por grande parte dos porto-alegrenses. Foi atrás deste sonho que João Paulo Flores, popularmente conhecido como Coiote, pôs fim à própria vida.
Às onze horas da manhã deste domingo, segundo testemunhas, ele entrou no edifício onde trabalhava há seis meses como estagiário alegando ter esquecido o contrato renovado que precisaria apresentar à universidade. Conhecido entre os funcionários da recepção, sua entrada fora do horário comum de atendimento não pareceu estranha. Eram onze horas e vinte e quatro minutos da mnhã quando uma pequena multidão de curiosos se formara na avenida Borges de Medeiros, observando, perplexos, um rapaz abrindo caminho entre janelas do décimo-quarto andar do edifício norte do centro administativo até a lateral do mesmo. Carregava, atado por cordas como se descobriu depois, um skate ás costas. Segurando-se em uma encosta do prédio com uma mão, posicionou o skate em direção vertical e fixou ambos os pés na "prancha" até conseguir estabilizar-se de pé. Erguendo-se calmamente, soltou a mão que o mantinha seguro e deixou-se deslizar pela famosa curva numa queda vertiginosa de 55 metros. A proeza durou alguns segundos e resultou na morte do rapaz, por múltiplos traumatismos cranianos, na data de 3 de fevereiro de 2008 às 11 horas e 31 minutos.
Essa tarde, parentes e amigos reúnem-se no velório deste que em poucas horas tornou-se um herói entre todos aqueles que um dia brincaram sobre a possibilidade de descer aquela rampa em cima de um skate. Toniolo, famoso grafiteiro e ativista político de Porto Alegre, deve estar presente como orador da cerimônia fúnebre. Organizada às pressas por amigos próximos e colegas de trabalho, uma homenagem será feita ainda esta noite, às 20 horas, no Anfiteatro Pôr-do-Sol, na avenida Edvaldo Pereira Paiva. O show-homenagem fica por conta de "Zé da Folha", famoso músico popular de Porto Alegre. Pede-se àqueles que comparecerem a doação de 1 quilo de alimento não-perecível, pois, segundo os amigos de João que encarregaram-se de organizar o pequeno evento, este é o tipo de atitude que ele sempre louvou e tentou incentivar entre todos à sua volta.
in the 80's, everyone was doing coke and stepping on each other on the way to sucess. now most people have stopped with the coke and focused on the stepping-on-everyone-else thing.
trancado em sua casa ouvindo um jazz acordou toda vizinhança ouvindo the traditional jazz band tocando 'saint louis blues' e pensou: "há quanto tempo eu não ouvia um jazz em vinil?". de fato, a vida moderna havia lhe privado desses pequenos prazeres já se faziam alguns anos, e por acaso esse era um dos discos que mais costumava ouvir, mesmo com o advento da tecnologia digital - e refiro-me especificamente aos discos compactos, não à distribuição gratuita de trilhas condensadas num pequeno arquivo de áudio via internet. prazer que não devia ter-se negado, este!
quem sabe, sabe! não, não era o melhor dos vinis, de fato já apresentava algum ruído (ou seria culpa da agulha?), mas ainda assim tinha uma qualidade audível superior à do áudio digital, e se estivesse em perfeitas condições qualquer um perceberia isso. ele apenas sentia e ouvia os graves do som repercutindo pela casa, fortuitamente revestida por madeira no interior, ao contrário do concreto exterior. tomar um banho se tornava uma experiência ainda mais agradável, sair nu do banho, secar-se e vestir-se parecia um sonho realizado do ansiado descanso fora da grande cidade. e tudo isso na particularidade de sua casa, tudo isso graças ao som da traditional ecoando de quarto a quarto, de sala a corredor a outro quarto.
Cabaceiro das taras escusas
onde vais pelas trevas impuras
com a espada sangrenta na mão?
Porque choram os olhos dormentes
de quem, em fogo, te deu coração?
"once upon a midnight dreary, while i pron surfed, weak and weary, over many a strange and spurious site of ' hot xxx galore'. While i clicked my fav'rite bookmark, suddenly there came a warning, and my heart was filled with mourning, mourning for my dear amour, " 'Tis not possible!", i muttered, " give me back my free hardcore!"..... quoth the server, 404."
(link)
estou pensando em escrever apenas sobre minhas filosofias de vida e meu recentemente assumido individualismo completo. a maioria das pessoas não suportaria a pressão de ler isso. pra ser honesto, o simples fato de eu estar pensando em escrever e publicar isso já causou a extinção de toda uma geração de possíveis leitores.
não, gente, o individualismo não existe fora daqui. todas as formas conhecidas dele são, por serem conhecidas, falhas. o verdadeiro individualismo independe da opinião alheia e, portanto, não envolve qualquer tipo de vestimenta, atitude ou qualquer outro reflexo da necessidade individual da admiração de outrém.
existem duas formas de demonstrar gratidão a alguém: a primeira é ficando totalmente longe de seu caminho, e a segunda é lhe pagando uma cerveja. meu ideal são as duas, na ordem inversa.
com os olhos fechados, deixou-se cair no abismo e que os pensamentos então lhe tomassem todo o tempo restante. estranhamente, não foi sua vida que passou por sua mente, nem mesmo os momentos recentes que o levaram até ali. foi um filme, um filme que vira há muito tempo atrás. saíra da escola, ele, não o personagem do filme, e meio sem ter o que fazer foi lá e comprou um ingresso. 'faz tempo que não vejo um bom filme sozinho', pensou, 'e se não for bom, não devo a ninguém permanecer ali.' e entrou, e o que vira lá teria feito grande diferença em sua vida. o nome do filme não lembro, tão pouco lembrava-se ele enquanto revia todo aquele filme no percurso entre o declive e as pedras que o esperavam centenas de metros abaixo, mas envolvia algum tipo de romance entre um rapaz e uma garota, também envolvia alguns adultos e amigos e o que parece ter sido uma traíção (não era fácil acompanhar a história, originalmente editada para uma hora e trintaessete minutos de exibição, agora reprisando como o mesmo longa-metragem mas na duração de não mais do que trinta segundos - ou um minuto? nunca estudei a física da queda-livre e faltei ao laboratório prático naquele dia letivo). mas de tudo o que podia ver nos seus últimos segundos, minuto, por quê justamente esse filme? e sua vida repassando perante seus olhos? ou sua revelação final, de que não devia ter feito aquilo ou de que teria uma segunda forma de existência n'outro plano? aquilo era um ultraje, ninguém jamais tinha sido sacaneado assim pelo destino. bem, agora que estava ali, pensava que de fato ele teria sacaneado muitos outros muitas vezes antes, e esse pensamento o agradou por alguns milésimos de segundo - não conseguia deixar realmente de prestar atenção no filme que passava, aliás, já devia chegar ao fim. só ficava imaginando agora o que aconteceria com o próximo que tentasse se divertir às custas do momento final... tomara que esse sim tenha que ver toda sua vida passando diante dos olhos, com slow motion naqueles segundos finais (minuto final, minuto e meio, que seja). mas, e se o cara gostasse do filme?